Mesmo com terrorismo, mundo ainda é mais seguro do que o Brasil

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Os ataques terroristas na Manchester Arena, no fim do show de Ariana Grande, em 22 de maio, e em pontos movimentados de Londres, em 3 de junho, chamaram a atenção do mundo todo, assim como já havia acontecido com os atentados ao Mercado de Natal de Berlim, em dezembro de 2016, à festa da Bastilha de Nice, em julho do mesmo ano, e à casa de shows Bataclan, em Paris, no final de 2015.
 
Em comum, os alvos eram grandes aglomerações em cidades de ampla visibilidade na Europa. Mas, afinal, viajar para o Velho Mundo está mais perigoso do que era antes? De uma certa forma, sim: o envolvimento de países como Reino Unido, França, Bélgica e Alemanha nos conflitos entre o Estado Islâmico (EI) e os governos da Síria e do Iraque cria a oportunidade de retaliação que o EI tanto busca, sobretudo por se tratar de territórios “nobres”, de ampla repercussão.
 
Tomar medidas para reduzir a probabilidade de estar presente no próximo ataque, porém, pode se tornar uma paranoia. Primeiro porque envolveria riscar do mapa alguns dos destinos mais adorados pelos brasileiros – ou, pelo menos, seus eventos, suas atrações e festividades mais populares, alvos potenciais dos atentados.
 
Segundo porque, de acordo com os números, é mais seguro viajar para esses países do que ficar por aqui. “As chances de ser vítima de ataques terroristas na Europa são pequenas se comparadas às de ser vítima de crimes violentos no próprio Brasil”, afirma Kai Enno Lehmann, especialista em Ciência Política e professor do Instituto de Relações Internacionais da USP.
 
A estatística é corroborada pelo Atlas da Violência 2017, divulgado em junho e segundo o qual todos os ataques terroristas do mundo nos cinco primeiros meses de 2017 fizeram menos vítimas do que a violência no Brasil em apenas três semanas de 2015, o ano-base da publicação – editada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
 
As medidas preventivas contra o terrorismo, porém, podem interferir na vida do turista em visita a quase qualquer país, como o reforço na revista dos aeroportos do mundo todo que se seguiu ao 11 de Setembro. E que vem se intensificando: os Estados Unidos, por exemplo, proibiram o embarque de eletrônicos maiores do que um celular nas cabines de aviões saídos do Oriente Médio (só é possível levá-los na bagagem despachada, sujeita a inspeção), e ameaça fazer o mesmo nos voos que recebe do mundo todo.
 
Como saber se o seu próximo destino é seguro ou não
 
Para monitorar a situação de seu próximo destino, fique de olho no noticiário, pesquise na internet e consulte serviços eletrônicos, como o SAIP (em inglês e francês), um app do governo da França que avisa ao usuário se há alguma ocorrência na região ou se ele está entrando em uma área de risco, baseando-se na localização do celular.
 
Para conhecer as zonas de risco do mundo todo, o Foreign Travel Advice (em inglês), do governo britânico, mantém um site de aconselhamento para viajantes que traz uma breve análise de cada país, além dos níveis de alerta ao terror. No Brasil, o Portal Consular do Itamaraty tem foco maior em alertas contra catástrofes naturais e epidemias, sem menção a atos terroristas.
 
Veja a percepção de segurança em sete grandes destinos turísticos sempre às voltas com a ameaça terrorista (atualizado em 19 de junho de 2017).
 
1. Reino Unido
 
 
Até meados de junho, o país já havia sofrido quatro atentados em cerca de três meses. Em 22 de março, o terrorista Khalid Masood deixou cinco mortos e 50 feridos em Londres ao conduzir um carro pela calçada da ponte de Westminster e esfaquear um policial, logo antes de ser atingido pela pistola de um segurança e morrer na cena.
 
Depois veio o ataque de Manchester, em 22 de maio, que causou comoção ao vitimar 22 pessoas e deixar 116 feridos no encerramento da apresentação da cantora pop Ariana Grande, após o suicídio do homem-bomba Salman Abedi.
 
Quase duas semanas depois, em 3 de junho, três homens pilotando uma van na London Bridge chegaram até o mercado de Borough, atropelando e então esfaqueando turistas e cidadãos londrinos no local. Saldo: sete mortos e 48 feridos. Nos dois últimos ataques, o EI reivindicou a responsabilidade.
 
No último 19 de junho, um homem de 47 anos conduziu uma van em alta velocidade na direção de muçulmanos que saíam de uma mesquita em Finsbury Park, perto de Londres, após orações realizadas durante a madrugada.
 
⇒ EFEITOS: A segurança nas ruas aumentou e, assim como nos EUA, o país estabeleceu o banimento de eletrônicos maiores do que um smartphone nas cabines de voos vindos ou a caminho do Oriente Médio. A população deu a resposta homenageando as vítimas de Manchester no show beneficente One Love Manchester, no estádio Old Trafford – organizado pela própria Ariana Grande e com participação de artistas como Black Eyed Peas e Coldplay –, e combatendo a tragédia de Borough até com o sarcástico humor britânico.
 
⇒ PARA QUEM QUER IR: O país continua sendo um dos mais seguros do mundo. Entre 2010 e 2015, segundo dados do Global Terrorism Database (base de dados sobre terrorismo global), o Reino Unido teve 13 vítimas de atentados, número considerado pequeno em se tratando de uma das maiores lideranças europeias no combate ao terrorismo.
 
2. França
 
 
O último atentado terrorista, no dia 6 de junho, foi uma tentativa de homicídio em frente à Catedral de Notre Dame, na qual um estudante algeriano atacou um policial francês com um martelo, mas foi baleado pelo colega do oficial.
 
Em junho de 2016, um sequestro em Magnanville deixou mortos um policial e sua esposa, e, em julho, a celebração do dia da Bastilha em Nice virou tragédia quando um caminhão foi deliberadamente conduzido contra a multidão, causando 86 fatalidades e ferindo 434 pessoas. O EI reivindicou o sequestro em Magnanville, enquanto o incidente de Nice foi causado por um “lobo solitário”, indivíduo que age por conta própria, sem ligação com organizações terroristas.
 
A série de atentados na França teve início em 2015, com as duas ocorrências que causaram a maior comoção até hoje, ambas em Paris: o atentado à redação do jornal satírico Charlie Hebdo, em janeiro, que deixou 12 mortos e 11 feridos, e, em novembro, a onda de ataques no Stade de France, nos cafés parisienses e na casa de shows Bataclan, matando 129 pessoas (89 delas no Bataclan) e ferindo mais de 350.
 
⇒ EFEITOS: O país estendeu o estado de emergência até julho de 2017, o que significa a permanência da segurança reforçada em aeroportos, estações de trem e shopping centers, além de um número maior que o normal de policiais pelas ruas, inclusive em atrações turísticas populares, como a Torre Eiffel e o Museu do Louvre. As autoridades podem pedir para revistar bolsas e sacolas ou conferir o documento de identidade nesses lugares.
 
⇒ PARA QUEM QUER IR: A França ainda é o país líder entre os destinos turísticos mais visitados no mundo, segundo números divulgados pelo próprio governo, e Paris, a terceira cidade do ranking (atrás de Bangcoc e Londres), de acordo com Global Destination Cities Index, da MasterCard. Assim como o Reino Unido, o país ainda é considerado muito seguro.
 
3. Alemanha
 
 
Em dezembro de 2016, um caminhão atravessou o Mercado de Natal em Berlim, matando 12 pessoas e ferindo 48. Em julho do mesmo ano, terroristas ligados à chamada ideologia jihadista causaram dez mortes em ataques a faca e arma de fogo, deixando 20 pessoas feridas.
 
Alguns especialistas acreditam que, ao abrir as portas para o recolhimento de refugiados, a Alemanha, assim como outras nações europeias, facilitou a reentrada de alemães que se voltaram para o jihadismo, uma ramificação deturpada do islamismo cujo objetivo é combater os descrentes na fé islâmica por meio da violência.
 
⇒ EFEITOS: A segurança dentro do país foi reforçada, com a criação, em 2015, de uma unidade especial da polícia, a BFE, que recebe recursos especiais para combate ao EI. Verificações de identidade estão sendo feitas com mais frequência.
 
⇒ PARA QUEM QUER IR: A baixa probabilidade de ser vítima de um ataque também se aplica aqui. Além disso, a taxa de criminalidade é relativamente baixa e vem decaindo desde 2013.
 
4. Turquia
 
 
Com duas facções políticas diferentes se articulando para tentar tomar o poder do atual presidente, Erdogan, a Turquia enfrenta uma situação de perseguição política severa e segurança rigorosamente reforçada, especialmente após a tentativa de golpe frustrada de julho de 2016.
 
Também sofre com atos de terrorismo trazidos da conflituosa fronteira com a Síria e o Iraque, ambos os países de origem do EI. Nas festividades do último Ano Novo, por exemplo, um homem invadiu e matou, a tiros, 39 pessoas dentro de uma boate de Istambul, e em junho de 2016 três homens-bomba suicidaram-se com explosões no aeroporto de Atatürk, o mais movimentado do país, matando 45 pessoas e deixando mais de 230 feridos.
 
⇒ EFEITOS: Grande número de guardas e policiais nas ruas, assim como um sentimento geral de tensão. Turistas e outros visitantes precisam passar por constante revista e averiguação de identidade.
 
⇒ PARA QUEM QUER IR: É difícil defender viagens à Turquia na conjuntura atual. Presidente da Fui Viagens (operadora especialista em roteiros pelo país), Volkan Güzey enxerga, ao menos, um aspecto positivo dessa situação de risco. “A diminuição de turistas de todas as nacionalidades permite aos brasileiros encontrar os pontos turísticos tranquilos”, afirma.
 
5. Israel
 
A violência vista na Faixa de Gaza e a questão territorial entre Israel e Palestina não dá indícios de terminar tão cedo, mas os ataques terroristas se tornaram menos frequentes nos últimos dois anos. Ainda assim, quatro soldados israelenses foram mortos pelo atropelamento de um caminhoneiro palestino em janeiro deste ano, e uma vítima fatal resultou de dois esfaqueamentos realizados também por palestinos, em abril.
 
⇒ EFEITOS: Os aeroportos de Israel ganharam fama pela segurança extremamente rígida, e é possível ver guardas praticamente em todos os locais públicos das grandes cidades.
 
⇒ PARA QUEM QUER IR: Os maiores conflitos estão limitados às regiões da Faixa de Gaza e Cisjordânia, enquanto que, em Jerusalém e Tel-Aviv, a vida segue normalmente e a população não teme sair à rua.
 
Fonte: Laís Ribeiro / Viagem e Turismo Abril

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